MENSAGEM DA V CONFERÊNCIA GERAL AOS POVOS DA AMÉRICA LATINA E DO CARIBE
Reunidos no Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida no Brasil, saudamos no amor do Senhor todo o Povo de Deus e todos os homens e mulheres de boa vontade.
De 13 a 31 de maio de 2007 estivemos reunidos na V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, inagurada com a presença e a palavra do Santo Padre Bento XVI.
Nos nossos trabalhos, realizados em ambiente de fervente oração, fraternidade e comunhão afetiva, buscamos dar continuidade ao caminho de renovação percorrido pela Igreja católica desde o Concilio Vaticano e nas anteriores quatro Conferências Gerais do Episcopado Latino-americano e do Caribe.
Ao terminar esta V Conferência lhes anunciamos que asumimos o desafio de trabalhar para dar um novo impulso e vigor à nossa missão em e a partir da América Latina e Caribe.
1. Jesus Caminho, Verdade e Vida. “ Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida ” (Jo 14,6)
Diante dos desafios que nos propõe esta nova época na que estamos imersos, renovamos a nossa fé, proclamando com alegria a todos os homens e mulheres do nosso continente: Somos amados e remidos em Jesus, Filho de Deus, o Ressuscitado vivo no meio de nós; por Ele podemos ser livres do pecado, de toda escravidão e viver em justiça e fraternidade. Jesus é o caminho que nos permite descobrir a verdade e alcançar a plena realização de nossa vida!
Na última coletiva de imprensa, realizada justamente na véspera do encerramento desta V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, os senhores cardeais Francisco Javier Errázuriz Ossa, Arcebispo de Santiago do Chile, Presidente do Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM) e um dos presidentes da V Conferência; Geraldo Majella Agnelo, Arcebispo de São Salvador da Bahia e primaz do Brasil, também um dos três presidentes da V Conferência; Cláudio Hummes, OFM, Prefeito da Congregação para o Clero e Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, SDB, Arcebispo de Tegucigalpa (Honduras), compartilharam alguma informação sobre o Documento Final da V Conferência e aspectos da conclusão da mesma.
Hoje, quarta-feira, às vésperas do encerramento desta V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, os participantes vindos de todos os pontos do Continente realizaram uma celebração penitencial na qual pediram ao Senhor, pessoal e comunitariamente, o perdão dos pecados e infidelidades e invocaram a graça de Deus para os discípulos e missionários de Cristo. ‘Te pedimos perdão por esquecermos que teu chamado é uma exigência permanente de humilde gratuidade, de renovada disponibilidade e de audaz generosidade’.
1. Os bispos, reunidos na V Conferencia Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, querem impulsionar, com o acontecimento celebrado junto a Nossa Senhora Aparecida no espírito de um novo Pentecostes e com o documento final que resume as conclusões de seu dialogo, uma renovação da ação da Igreja. Todos os seus membros estão chamados a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, para que nossos povos tenham vida Nele. No cominho aberto pelo Concilio Vaticano II e em continuidade criativa com as Conferencias anteriores do Rio de Janeiro, 1955; Medellín, 1968; Puebla, 1979 e Santo Domingo, 1992, refletiram sobre o tema Discípulos e missionários de Jesus Cristo para que nossos povos Nele tenham vida. Eu sou o Caminho a verdade e a Vida (Jo 14,6) , e procuraram traçar em comunhão linhas comuns para prosseguir a nova evangelização em nível regional.
2. Eles expressam junto com o Papa Bento XVI que o patrimônio mais valioso da cultura de nossos povos é ‘ a fé em Deus amor'. Reconhecem com humildade as luzes e as sombras que há na vida crista e na ação eclesial. Querem iniciar uma nova etapa pastora,l nas atuais circunstancias históricas, marcada por um forte ardor apostólico e um maior compromisso missionário para propor o evangelho de Cristo como caminho à verdadeira vida que Deus oferece aos homens. Em diálogo com todos os cristãos e a serviço de todos os homens, assumem ‘a grande tarefa de custodiar e alimentar a fé do Povo de Deus, e recordar também aos fiéis deste continente que em virtude do seu batismo estão chamados a ser discípulos e missionários de Jesus Cristo' (Bento XVI, discurso inaugural,3). Eles se propuseram a renovar as comunidades eclesiais e as estruturas pastorais para encontrar as mediações da transmissão da fé em Cristo como fonte de uma vida plena e digna para todos, para que a fé, a esperança e o amor renovem a existência das pessoas e transformem as culturas dos povos.
3.Neste contexto e com esse espírito, oferecem suas conclusões abertas no Documento Final . O texto tem três grandes partes que seguem o método de reflexão teológico-pastoral ‘ver, julgar, agir'. Assim, olha-se a realidade com os olhos iluminados pela fé e um coração cheio de amor, proclama com alegria o Evangelho de Jesus Cristo para iluminar a meta e o caminho da vida humana, e busca, mediante um discernimento comunitário aberto ao sopro do Espírito Santo, linhas comuns de uma ação realmente missionária, que ponha todo o Povo de Deus num estado permanente de missão. Esse esquema tripartite está alinhavado por um fio condutor em torno à vida, em especial a vida em Cristo, e está tecido transversalmente pelas palavras de Jesus, o Bom Pastor: ‘ Eu vim para que as ovelhas tenham vida e a tenham em abundância'. (Jo 10,10)
Dom Roberto Octávio González Nieves, OFM, Arcebispo de São João e presidente da Conferência Episcopal de Porto Rico presidiu a celebração Eucarística neste dia e tratou em sua homilia o tema da evangelização dos povos.
A respeito, assegurou: “Esta evangelização consiste em fazer discípulos de Jesus. O propósito da evangelização não consiste, portanto, só em proclamar a mensagem de Jesus, mas em fazer discípulos, ou seja, criar uma postura direcionando a vida, uma maneira de ver, sentir e julgar tudo o que passa desde a experiência de vitória de Cristo sobre a morte... O fruto da evangelização é uma Igreja em comunhão”.
Na coletiva com a imprensa na qual se continuou falando sobre o ritmo das sessões da V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e do Caribe, participaram Dom João Braz de Aviz, Arcebispo de Brasília (Brasil) e Dom Jorge Enrique Jiménez Carvajal, CIM, Arcebispo de Cartagena (Colômbia) e presidente da Comissão da Mensagem Final.
Dom João Braz Aviz manifestou que até agora a Assembléia tem sido expressão de uma Igreja que quer ser comunhão, entendida de modo aberto. ‘Comunhão não só entre os católicos, mas também com outras confissões e com a sociedade’’.
Sublinhou o testemunho dado pelo rabino Cláudio Epelman, representante da Comunidade Hebréia da Argentina. ‘As coisas que nos disse e o espírito com que pronunciou suas palavras nos indicam que estamos caminhando para trabalhar unidos com todas as pessoas e instituiçoes de boa vontade’’.